Olha o iogurte natural!

Não foi atoa que o iogurte natural com açúcar mascavo e granola naquela hora, 

deu o que dizer.

Depois de muito tempo na frente da tela, a cabeça pede reposição. 

Não chamo de esgotamento, esse momento.

Para que não chegue a tanto, reponho com uma pausa e algo para comer.

Não sou do iogurte. Nem do açúcar mascavo. Não preciso de granola.

Têm horas que é assim,

a gente come o que a gente tem, não o que a gente quer.

É para matar a fome.

Completar um vazio.

Saciar uma necessidade.

Repor energia.

Sem realizar o desejo.

O meu desejo 

era de uma paçoquinha, mas não tinha.

Uma banana com manteiga de amendoim, mas estava verde.

Um bolinho fofo da padaria, essa hora, fechada.

Olhei ao redor e foi o que encontrei.

Senti uma euforia logo que peguei na minha mão o potinho de plástico escrito

iogurte natural.

Coisa que nunca acontece.

Não por de repente amar iogurte, por uma outra razão.

Quando fui conferir a data de validade, 

vi carimbado o dia do meu aniversário.

Qual a probabilidade de alguém pegar algo com a sua data de aniversário no rótulo?

-Eu acho mínima.

Naquele momento,

senti como se o iogurte falasse comigo,

fosse feito para mim.

Degustei-o lentamente.

Percebi que eu estava errada

julgando mal a combinação

entre o azedo, o doce e o crocante.

Me pergunto, se meus olhos não estivessem abertos para ver, 

uma dessas sutilezas do acaso, 

o gosto seria o mesmo? 

 

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